Os 23 Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) de Brumadinho que concluíram os projetos de pesquisa propostos pelo Programa Conviver, da Ferrous em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, tiveram seus trabalhos publicados numa revista lançada em abril, numa cerimônia de encerramento do projeto. A publicação mostra o caminho metodológico percorrido por cada grupo para se chegar aos resultados obtidos, traz o relato dos ganhos pessoais e profissionais e também as conclusões a que eles chegaram.
“O melhor de tudo foi descobrir o reconhecimento do nosso trabalho. Durante a pesquisa tivemos que realizar entrevistas, e nesse momento as famílias atendidas por nós disseram que gostam de nossas visitas, que acham importante nossa presença em suas casas”, relata Sandra Maria da Silva Reis, do posto de saúde Progresso.
O Programa de Pesquisa Conviver orientou os grupos de ACSs a desenvolverem temas de estudo sobre as questões mais importantes ou mais comentadas no cotidiano de atendimento à população, como mineração e seu impacto na saúde, licenciamento ambiental, poeira, uso da água, imagem dos agentes de saúde na comunidade, esquistossomose, entre outros. O objetivo foi conhecer melhor a realidade onde vivem e atuam, em um processo de aprendizagem aliado ao crescimento pessoal e profissional.
Para que os agentes desenvolvessem as pesquisas, o programa ofereceu orientações técnicas, palestras com especialistas nos assuntos escolhidos, forneceu transporte para trabalhos de campo e orientou quanto à pesquisa bibliográfica e de campo. De acordo com Helena Fernandes de Amorim, agente de saúde do posto do distrito de Córrego de Almas, a conversa com os empregados da Ferrous durante visita à mina Esperança foi importante para esclarecer algumas dúvidas e orientar a redação do trabalho final de sua pesquisa, que foi sobre licenciamento ambiental. “Eu não conhecia nada de licenciamento e foi a primeira vez que fui a uma mina. Com os esclarecimentos prestados na visita de campo, consegui conhecer e entender melhor o assunto”, conta.
Do posto do bairro Jota, Rogério Dias da Silva trabalhou com o tema água na mineração e concluiu que o que a população pensa da mineração é muito diferente da realidade. “O que aprendi servirá para que eu leve informações mais corretas para as pessoas. Poderei falar aos moradores mais antigos que hoje a realidade da mineração é bem diferente do que a que eles conheceram quando trabalhavam nas minas, no passado. Não saberei responder a tudo, mas o que sei vou passar adiante de coração”, declara.